| dentro das utopias de um marinheiro e de uma garçonete. |
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Monday 18, 9:05 pm
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(breve encenação) - vou tomar meu remédio, aguarde. - sair daqui, não vou. - pronto. - ótimo, fale mais sobre o plano que está me oferecendo. - senhor, é um remédio, cura imaginação. ideal para esquizofrênicos, caso o queira entre em contato. - sim sim, me parece muito interessante, quero testar em alguns alunos meus da faculdade. - pois não, efeitos colaterais à parte, porém, posso garantir ao senhor extremo resultado, imediato lógico. - perfeito, e como posso fazer a encomenda? atacado por favor. - sem cpf nao (rr)rola. - 02860943048. - processando senhor, aguarde... - certo, aguardarei. - desculpe senhor, crédito recusado. vá cantar suas negas, obrigada pela ligação. - mas como isso é possível? meu cpf está perfeitamente claro. (tu tu tu tu...)
- sua interpretação como telefonista foi ótima, não é a toa que quer fazer teatro. - obrigada cavalheiro. fiquei realmente lisonjeada em saber disso. - foi uma apresentação mirabolante, você realmente tem futuro. - isso foi a melhor coisa que me disseram. - não se preocupe senhorita, vejo um futuro brilhante ao seu redor, tudo passará em uma fração de segundo, você verá. hoje está aqui sentada nesta cadeira, amanhã estará em london com seu elenco profissional. - tu não falas sério. - não brinco em serviço senhorita. eu sei o que digo e sei quando alguém tem futuro. - mas, cavalheiro, não seria de minha estirpe acreditar em promessas, nada mais de ilusões para uma mente sem muita imaginação. nada sólido acontecerá ao redor. - senhorita, suas palavras decadentes me encantam desesperadamente, sinto meu suave coração delirar em torno de seus agudos, você torna a trazer a paz que falta em ambientes concretos. entenda o que lhe digo, entenda o seu futuro e logo perceberá que minhas palavras não são apenas delírios. - é verdade que já me disseram que uma aura em particular podia girar em torno de mim, mas não é um momento adequado para palavras equivocadas, tudo isso vai se dilacerar na poeira da ação do tempo. se seus delírios me remetem a palavras mais duras, peço-lhe perdão. não é de meu gosto duvidar de senhores gentis, e também não posso negar que cavalheiros, assim, me atordoam. não entenda mal meu senhor, nada se remete a outras vias. - meus delírios acompanham apenas a sua voz, entenda que meu sopro poético é um ciclo sem fim e você conseguiu pará-lo, absorva minhas palavras, seu pessimismo só me traz lembranças de espectros que perderam sua capacidade num precipício de escolhas, entenda senhorita, você escolhe o que é, você escolhe o que foi e eu, somente escuto. posso acompanhá-la até o café mais próximo? - como queira senhor, absorvo de tudo, seus delírios me atordoam, já não se pode mais voltar atrás. sinto-me como uma alma que perambula vagamente nessa chuva sem escrúpulos. tragas minha paz de volta senhor e eu poderei consertar tudo. posso fazer o que quiseres. - não quero nada de você, só quero ter a honra de ouví-la, nada pode mudar o passado, compreenda que o que digo é a mais pura verdade, cada um tem sua verdade, seu passado não pode mudar seu futuro, você escolhe isso também, nada é um ciclo, tudo que poderia se acabar e quem me mostrou isso foi você, o único ciclo é o amor pois ele não acaba, no entanto ele também não gira. - se pude mostrar-lhe essa dor é porque ninguém mais poderia compreender tais absurdos. tu não queres nada de mim e me sinto um pouco confusa, nada sinto além de gravidade. choro preso na garganta e não consigo mais chorar desesperadamente por um homem que não vejo, ele não pode aparecer. espero por um homem e posso mostrar-te meu bem que tudo isso servirá de consolo. há algo que jamais se esclareceu, aonde foi que te perdi, leão que sempre cavalguei. não sei o que em mim quer me lembrar de coisas que tornaram a acontecer antes desse acidente se assombrar. tenho de partir meu doce e fiel cavalheiro. não poderei suportar essa dor, essa partida.
com amor, bianca z.
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